A Ponte do Diabo
- Arcos Tour

- 18 de dez. de 2025
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Era uma vez…
Em tempos antigos, nas terras agrestes do Barroso, no Parque Nacional Peneda Gerês, vivia um homem criminoso, perseguido pela justiça por inúmeros crimes. Conhecedor profundo dos montes, das fragas e dos esconderijos da serra, conseguia sempre escapar.

Certo dia, a fuga levou-o a se perder entre penedos escarpados, surgindo-lhe à frente o rio Rabagão. A força das águas e a profundidade do desfiladeiro não lhe deixavam saída. Desesperado, invocou as forças divinas que não lhe atenderam. Sem outra opção, gritou pelo Diabo, que lhe apareceu.
"Entrego minha alma em troca de uma passagem."

O pacto foi rápido: o fugitivo entregaria a sua alma em troca de uma passagem segura. Num instante, sobre o abismo surgiu uma ponte de pedra. O homem atravessou-a apressadamente, sem olhar para trás. Mal chegou à outra margem, ouviu-se um estrondo terrível e a ponte desapareceu, impedindo qualquer perseguição.

Anos passaram. O fugitivo envelheceu e, já à beira da morte, com medo de ir parar ao inferno, confessou a um padre o pacto que fizera com o Diabo. O sacerdote, decidido a salvar aquela alma, dirigiu-se ao local onde a ponte surgira.

Ali, fingiu aceitar o mesmo acordo com o Demónio e a ponte reapareceu mais uma vez. O padre atravessou-a calmamente e, de súbito, retirou uma caldeirinha de água-benta e um ramo de alecrim. Aspergiu a ponte três vezes, fez o sinal da cruz e pronunciou as palavras do exorcismo. Um cheiro intenso a enxofre encheu o ar, ouviu-se um rugido medonho, e o Diabo desapareceu para sempre. A ponte, essa, ficou de pé.

Desde então, ficou conhecida como Ponte do Diabo ou Ponte da Misarela, um lugar onde o sagrado venceu o mal e onde a pedra guarda a memória de um pacto quebrado. Diz o povo que quem ali passa sente ainda o peso da lenda, entre o rugir das águas e o silêncio da serra.
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