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Os Fojos do Lobo

Batida ao Lobo | Fojo de Paredes Convergentes
Batida ao Lobo | Fojo de Paredes Convergentes

O que são os Fojos do Lobo?

Os Fojos do Lobo são antigas armadilhas de caça, construídas pelo homem, utilizadas outrora para capturar lobos, corços, ursos e outros tipos de animais de grande porte.

Estas estruturas constituem um fascinante legado da Península Ibérica, e representam uma história de resistência, cultura e convivência ao longo de séculos entre o homem e o lobo.

Fojo do Lobo de Bouça dos Homens | Arcos de Valdevez
Fojo do Lobo de Bouça dos Homens | Arcos de Valdevez

Como surgiram os fojos?

Durante décadas, as comunidades locais da Península Ibérica enfrentaram problemas significativos relacionados à preservação de seus rebanhos face aos ataques dos lobos, que encontravam no gado domestico o facilitismo de captura que não encontravam nas prezas selvagens.

Em resposta a essa situação, foram então construídas estas armadilhas denominadas de fojos.

Que tipos de fojos existem?

No âmbito da construção destas armadilhas, foram adotadas duas metodologias de caça, nomeadamente batida (Paredes Convergentes), ou com recurso a isca (Simples, Cabrita, Alçapão e Corral).

No entanto, na região do Parque Nacional Peneda Gerês, verifica-se dois tipos principais de fojos:

  • Fojo de Cabrita ou de Isca: armadilha de formato circular, construída com muros de pedra, dentro ou fora de terra, em que se colocava no seu centro uma "isca", normalmente uma cabra velha, daí se chamar fojo da cabrita, em que o lobo entrava e depois não saía.

  • Fojo de Paredes Convergentes: armadilha em forma de "V", em que com recurso a batida organizada, se forçava o animal a entrar para o "V" que convergia num fosso onde entrava e não mais saía.

Fojo da Cabrita | Arcos de Valdevez
Fojo da Cabrita | Arcos de Valdevez

Como eram realizadas as batidas?

Um pouco à imagem das batidas ainda realizadas hoje em dia ao javali, as batidas ao lobo eram realizadas em dia e hora marcada.

Ao amanhecer, ao rebater dos sinos das igrejas, das aldeias saiam os homens munidos de paus, ferramentas agrícolas, bombas artesanais, cornos berrantes, e todo tipo de utilidades que pudessem atormentar os animais e se defenderem em caso de confronto.

Já no fojo, eram colocadas portas de batida, onde a cada 100m os caçadores se colocavam para dar fogo nas ditas "feras", aumentando a extensão dos braços/paredes da armadilha.

Se o lobo não fosse morto pelos tiros dos caçadores, acabaria por entrar forçado para a convergência do "V", afunilado por muros com 2m de altura, onde o animal acabaria por saltar para o fosso onde depois lhe era tirada a vida.

Fosso | Fojo de Paredes Convergentes
Fosso | Fojo de Paredes Convergentes

Como eram construídos os fojos?

Apesar de em Espanha se verificarem exemplares de fojos de paredes convergentes construídos com estacas de madeira, e outra tipologia de fojos como o corral poderem ser construídos também com recurso a madeira e arame, grande parte dos fojos eram contruídos com recurso a pedra, matéria prima normalmente abundante.

Tendo em conta que ainda se verificam fojos de paredes convergentes com envergaduras de até 3km (visíveis de satélite), tamanha empreitada só era possível com o ajuntamento comunitário de aldeias em data marcada, tal e qual como se fazia para as batidas, e como ainda na atualidade se faz nas aldeias do Peneda-Gerês, para irem limpar as levadas de água para a rega.


A Importância Cultural

Hoje, estas estruturas não são utilizadas como armadilhas de caça. Em vez disso, representam um importante patrimônio arquitetónico, histórico e cultural, refletindo a relação complexa entre o homem e o lobo na região. Também, são testemunhas silenciosas da cooperação comunitária e do esforço conjunto para proteger o gado doméstico, essencial à subsistência.

Da convivência entre o Homem e o Lobo surgiram várias lendas e mitos, e até em zonas de lobos, aldeias foram batizadas com elementos ligados a essa convivência ("Lobagueira", "Vilar de Lobos", "Fojo Lobal").

Fojo do Lobo da Seida | Arcos de Valdevez
Fojo do Lobo da Seida | Arcos de Valdevez

A Preservação e Requalificação

Muitos Fojos do Lobo estão em bom estado de conservação e foram alvo de estudos e esforços de preservação.

Atualmente, sendo o lobo uma espécie protegida em Portugal, representam a história e a cultura da Península Ibérica.

Fojo do Lobo da Seida | Arcos de Valdevez
Fojo do Lobo da Seida | Arcos de Valdevez

Um Futuro de Coexistência

Hoje, a relação entre o homem e o lobo mudou. O lobo ibérico é uma espécie protegida, e os conflitos com as comunidades locais são geridos de forma mais sustentável. Os Fojos do Lobo são uma lembrança do passado, mas também um lembrete de que a coexistência entre o homem e a natureza é possível.

Lobo Ibérico
Lobo Ibérico

Os Fojos do Lobo são mais do que simples estruturas de pedra, eles contam a história de uma região, sua cultura, desafios e evolução.

Ao preservar essas antigas armadilhas, preservamos também a memória das comunidades locais e o seu esforço pela sobrevivência e sacrifício de outros tempos.

Vaca Barrosã | Peneda-Gerês
Vaca Barrosã | Peneda Gerês

Desafio:

Porque que é que as raças de vacas autóctones da zona do Peneda Gerês tem os cornos tão grandes?

Pista: na natureza tudo tem um sentido.


Fojos do Lobo em Arcos de Valdevez (ver mapa)

Atualmente em Arcos de Valdevez identificam-se:

  • 7 Fojos de Paredes Convergentes

  • 2 Fojos da Cabrita

  • 1 Fojo Corral



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