Mosteiro de Santa Maria das Júnias
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O Mosteiro de Santa Maria das Júnias é um dos mais singulares e enigmáticos monumentos medievais do Norte de Portugal. Situado num vale isolado, a cerca de dois quilómetros da aldeia de Pitões das Júnias, no concelho de Montalegre, integra-se no território do Parque Nacional da Peneda-Gerês e encontra-se classificado como Monumento Nacional desde 1950.

Enquadramento geográfico e paisagístico
O mosteiro implanta-se num vale estreito e pedregoso, junto à Ribeira de Campesinho, no ponto de contacto entre o planalto da Mourela e a Serra do Gerês. Trata-se de um local de difícil acesso, marcado pelo isolamento, pela abundância de água e pela paisagem montanhosa, características que refletem bem os ideais de recolhimento e austeridade associados à vida monástica medieval, em particular à espiritualidade cisterciense.

Origem e evolução histórica
A origem do Mosteiro de Santa Maria das Júnias remonta, segundo a tradição e algumas referências documentais, a um eremitério pré-românico fundado no final do século IX, provavelmente por uma pequena comunidade de monges. No entanto, o edifício que hoje subsiste foi erguido sobretudo durante a primeira metade do século XII, antes da fundação da nacionalidade portuguesa. Inicialmente, o mosteiro seguia a regra de São Bento, tendo passado, em meados do século XIII, para a Ordem de Cister, ficando ligado a importantes casas monásticas da Galiza e do Norte de Portugal. Ao longo da Idade Média conheceu períodos de crescimento moderado, com a construção do claustro e o alargamento da capela-mor. Nos séculos XVI a XVIII, o conjunto sofreu várias alterações, de influência renascentista e barroca, visíveis no alteamento da nave e na introdução de retábulos em talha dourada. Com a extinção das ordens religiosas masculinas em 1834, o mosteiro foi abandonado. Um incêndio ocorrido no século XIX destruiu grande parte das dependências conventuais, restando essencialmente a igreja.

Arquitetura e características artísticas
A igreja do mosteiro apresenta nave única de tradição românica, com cobertura de madeira, e uma capela-mor de influência gótica, mais estreita e baixa. A fachada principal é simples, rematada por um campanário de dois vãos, e destaca-se pelo seu portal românico de grande sobriedade e valor simbólico. Do antigo complexo monástico conservam-se apenas ruínas do claustro e de algumas dependências, como a antiga cozinha conventual, onde ainda é visível uma imponente chaminé piramidal. Estes vestígios permitem compreender a organização funcional do mosteiro e a sua adaptação ao relevo acidentado do vale.

Abandono, redescoberta e valorização
Após séculos de abandono e degradação, o Mosteiro de Santa Maria das Júnias foi alvo de intervenções de conservação ao longo do século XX. Na década de 1990, o Parque Nacional da Peneda-Gerês promoveu escavações arqueológicas no claustro e na cozinha, contribuindo para um melhor conhecimento da história e da evolução do conjunto. Hoje, apesar de se encontrar em ruínas, o mosteiro é um importante destino cultural e turístico, atraindo visitantes interessados na arquitetura medieval, na história monástica e na paisagem natural envolvente.

Devoção e tradição
A igreja mantém uso religioso ocasional e é palco de uma romaria anual a 15 de agosto, que reúne os habitantes de Pitões das Júnias e das aldeias vizinhas. Este momento festivo reforça a ligação entre o monumento e a comunidade local, preservando a sua dimensão espiritual e identitária.

Visita e acesso
O acesso final ao mosteiro faz-se por um percurso pedonal de cerca de 350 metros, ao longo de uma antiga calçada de pedra, com declive acentuado e piso irregular. Recomenda-se o uso de calçado adequado, sobretudo em dias de chuva.
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