Planalto da Mourela
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O Planalto da Mourela é um dos territórios mais singulares do norte de Portugal, situado no concelho de Montalegre, em plena área do Parque Nacional da Peneda Gerês e integrado na Reserva da Biosfera Gerês-Xurês. Implantado a cerca de 1.200 metros de altitude, na vertente oriental da serra do Gerês, este vasto planalto é um espaço onde natureza e presença humana se entrelaçam há milénios, moldando uma paisagem cultural de exceção habitada desde o Neolítico.

Espalhado pelas aldeias de Covelães, Outeiro, Paredes do Rio, Pitões das Júnias, Tourém, Travassos e Sezelhe, o Planalto da Mourela distingue-se pela diversidade de cenários: campos agrícolas em mosaico junto às povoações, extensas áreas de matos e urzais, turfeiras húmidas onde florescem as bolas-de-algodão e amplos horizontes pontuados por garranos em liberdade e grandes efetivos de gado bovino. Aqui, há mais animais do que pessoas, reflexo de um modelo agro-pastoril comunitário que continua a estruturar o território.

A paisagem da Mourela não é apenas natural, é o resultado direto de práticas ancestrais de gestão dos baldios, do maneio do gado e dos matos, fundamentais para a conservação da biodiversidade e para a prevenção de incêndios florestais. Este modelo de gestão sustentável foi reconhecido a nível europeu, tendo o território conquistado, em 2016, o Prémio da União Europeia para o Património Cultural / Europa Nostra, na categoria Educação, Formação e Sensibilização, pelo seu contributo exemplar na valorização da paisagem e na redução significativa da área ardida.

O Planalto da Mourela é ainda um território privilegiado para a observação de aves, acolhendo espécies raras no contexto nacional, como o picanço-de-dorso-ruivo, a escrevedeira-amarela, a laverca ou o melro-das-rochas, o que reforça o seu valor ecológico e científico. Mais do que um cenário de grande beleza, a Mourela é uma paisagem viva, onde a permanência das comunidades locais é essencial para a conservação da natureza, demonstrando que proteger o território passa, acima de tudo, por manter pessoas, práticas e saberes no coração da montanha.
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