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Soajo

Pelourinho | Soajo | Arcos de Valdevez
Pelourinho | Soajo

A Vila de Soajo ou "do", localiza-se na parte sudeste do concelho de Arcos de Valdevez, já inserida em pleno Parque Nacional da Peneda Gerês.

Esta povoação, detêm já uma longa presença humana, comprovando pelos registos neolíticos localizados na zona sudoeste, nomeadamente dólmens e gravuras rupestres.


Dólmen | Mezio | Soajo
Dólmen | Mezio | Soajo

A Vila de Soajo, ficou também conhecida, por ao longo de muitos anos e reis, ter albergado a principal montaria do reino, a Montaria Real, tendo com isto, os Soajeiros ou Monteiros de Soajo (nome dado aos habitantes de Soajo) auferido de benefícios ao longo de séculos, como isenção de impostos, isenção de conscrição militar, entre outros.

Em virtude da principal atividade dos habitantes ter sido a caça, estes apelidaram de “Monteiros”.


Soajo | João de Almeida
Soajo | João de Almeida

Entre 1514 até a reforma administrativa do séc. XIX, Soajo consolidou a elevação a sede de concelho, englobando a freguesia da Gavieira e Ermelo.

Nas ruas desta vila medieval, poderá reparar nas construções das típicas casas, em lajes graníticas bem trabalhadas (arquitetura típica).


Arquitetura típica | Soajo
Arquitetura típica | Soajo

No centro, localiza-se o Largo do Eiró, o edifício quinhentista dos antigos Paços do Concelho, o Pelourinho, e a antiga Cadeia. Este Pelourinho está classificado como Monumento Nacional e a sua forma curiosa, poderá ser alusiva às 3 freguesias do Concelho de Soajo (3 vértices), ou ser uma representação escultórica do antigo privilégio cedido ao concelho por rei D.Dinis, em que, nenhum fidalgo permanece-se em Soajo, mais tempo do que o necessário para se esfriar um pedaço de pão quente, posto ao ar na ponta de uma lança, isto, pelo suposto abuso de fidalgos a mulheres de Soajeiros. A lança seria o fuste, e o pão o remate triangular. Posto isto, Soajo ficou também, conhecido como terra de fidalgos, devido à sua afluência de fidalgos nos tempos das montarias, que visitavam e tinham casas e terras em Soajo (mas foram obrigados a vender).


"Soajeiros" e o Pelourinho | Soajo
"Soajeiros" e o Pelourinho | Soajo

Mas é pelo grande conjunto de espigueiros que esta vila é tão conhecida! O conjunto está classificado como Imóvel de Interesse Publico, situado um pouco mais abaixo do principal aglomeramento rural. São 24 espigueiros inteiramente de pedra implantados sobre um enorme afloramento granítico. Foram construídos durante o séc. XVIII (o mais antigo de 1720) e o séc. XIX.


Espigueiros de Soajo
Espigueiros de Soajo

Durante a Guerra da Restauração, apesar de isentos de participação (salvo no seu couto, ou se fosse também o rei), em 1657 os povos do Concelho de Soajo tomaram parte ativa, junto ao Castelo de Lindoso, batendo-se heroicamente pela Restauração da segunda independência de Portugal.


Esquerda: Soajo | Direita: Lindoso | Fundo: Espanha
Esq: Soajo | Dir: Lindoso | Fundo: Espanha e Rio Lima

Soajo está ainda na origem do nome da serra que sustenta a vila, nomeadamente a Serra de Soajo, onde ocorriam as grandes batidas a ursos (extintos no sec. 18), javalis, cabras-bravas (extintas em 1890 com uma última batida em Soajo, reintroduzidas em 1997), lobos e raposas, com recurso aos enormes Fojos ainda existentes que circundam Soajo (10 no total).

Soajo está também, na origem da raça de cão portuguesa registada/nomeada como Cão Castro Laboreiro, porém onde o verdadeiro nome seria Cão Sabujo da Serra de Soajo.



Soajo é também terra de muitas histórias e lendas, tais como:


Soajeiros junto de caniços
Soajeiros junto a caniços do milho

Em síntese, todo este historial diz bem deste povo, e o que representa.

Povo que no seu recanto do Vale do Lima, levava a vida ao ritmo das estações.

Povo que se fez representar:

  • pela sabedoria e orgulho do Juiz de Soajo

  • pela astúcia magistral como Montaria Real

  • pela lealdade, reverência e espírito de sacrifício com D.Dinis às costas

  • pelo patriotismo na Guerra da Restauração

  • pela união e autoridade no varrimento da feira de Valdevez *


* "Ainda os Monteiros não tinham deixado Soajo, já os sinos tocavam a rebate pelos que haveriam de morrer!"


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